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segunda-feira, agosto 28, 2006

Capas que dificilmente serão piores que a música


...mas é possível
Toda a gente sabe que, atingindo-se uma certa idade, o sítio onde mais vezes se encontram amigos é na página de necrologia do jornal regional. Por incrível que pareça, em maior número que nas salas de espera dos consultórios médicos. E, por ainda mais incrível que pareça, em maior número que junto àquelas barreiras de metal com um buraco para os velhos puderem ver as obras de qualquer construção. É por essas e por outras que eu não leio livros bons, não vejo filmes bons, nem oiço música boa. Quero ter alguma coisa de jeito para fazer quando for velho. Ver obras não me seduz por aí além. Não sei, deve ser um gosto que se adquire com a idade. Como os torresmos, as caras de bacalhau ou fazer aquele som ‘tshck, tshck’ que os velhos fazem com os dentes durante horas depois de qualquer refeição. E quem é que teve a ideia de fazer os buracos nas barreiras de metal para os velhos puderem ver as obras? Algum empreiteiro começou a ficar assustado com a insatisfação dos idosos perante as barreiras que lhes impossibilitava um visionamento correcto? A massa idosa começava a ficar impaciente e anunciava-se um banho de sangue? Aposto que os velhos até dão dicas aos pedreiros. Muito gostam eles de dar dicas. “Olhe, martele ali agora que aquilo tá solto e vai cair tudo’. ‘Olhe, é melhor não deixar os ‘tijóis’ à chuva que estragam-se’. E depois dizem sempre ‘eles não percebem é nada disto, ‘hóme’!’ para o amigo do lado. E vão à vida deles. Ver mais obras.
A capa mostra-nos que, muito antes das bandas com eyeliner e letras "oh, ninguém gosta de mim", já existiam bons discos para introspecções e para alimentar depressões. Freddie está agachado perante a lápide de um amigo. Levou o seu melhor fato branco, excepto as calças que estavam para lavar. O branco suja-se muito. Sobretudo nas perneiras. E Freddie, como bom padre que é, sempre deu colo a muita gente. Ainda conseguiu levar as suas botas de frosseiro. Ou à Bee Gees. Seja lá o que for, parece ser o calçado mais adequado para pisar a relva de um cemitério. É uma coisa leve, mas ao mesmo tempo formal e respeitadora. Parece admirado com alguma coisa que está escrita na lápide. Costuma acontecer a quem deambula por cemitérios a ver se reconhece os nomes cravados na pedra. Também pode estar a fazer as contas para perceber com quantos anos é que este seu amigo morreu. Tem na mão um livro com uma capa vermelha. Com certeza, algum livro de feitiços que lê de trás para a frente enquanto mutila galinhas e gatos vadios. A editora é a ‘Rainbow’, ou, em bom português, a ‘Arco-Íris’. Um nome alegre, colorido e vivo.

terça-feira, agosto 22, 2006

Licor do Bom



Hoje estava eu em mais uma leitura do nosso jornal Regional Diário de Aveiro quando para meu espanto, Frossos, mais uma vez em destaque desta vez meia página, nada mau...
Tinha a máquina fotográfica comigo e registei para partilhar com voçês.
E então bora la beber um licorzinho no fim de semana ?????
Filipão de Frozzes